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domingo, 9 de maio de 2010

Minha Última Poesia de Amor


Ele estava na cozinha,sentado.
Admirava o corpo dela em movimento,tão vibrante,juvenil.
Tão único,conclui.
"Te amo",ele diz.
Ela vira-se para ele,senta no seu colo e o olha nos olhos.
"Te amo",sussura.
"Eu te amo muito",diz ele.
Ela sussurra em seu ouvido:"eu te amo muito também" e lhe beija demoradamente.
"Mas eu te amo muito mesmo,você entende"?Ele insiste com uma voz suplicante enquanto aperta os braços dela com energia.
Ela puxa seus cabelos com força,ele se excita.
"Mas eu a amo mais que tudo,não só seu corpo,mas sua alma,sua essência.Queria que você entendesse".
"Eu entendo",diz ela sorrindo.
"Não,ela não entede",pensa ele olhando para o rosto dela.
Falta-lhe palavras para explicar o quanto a ama.
Ele segura sua cabeça,toca de leve sua nuca e a encara.
"Eu morreria por você ,daria minha alma por uma eternidade ao seu lado".Ele aperta sua nuca com mais força.Quer que ela compreenda realmente o tamanho do seu amor por ela.
Ela não sorri mais e o olha,perturbada.
"Também te amo" ,ela diz com uma voz trêmula.
"Te amo mais do que a mim mesmo",ele fala.Seus olhos brilham e tremem alucinados.
"Eu também...",mas não consegue completar a frase.
Ela sente a faca penetrar seu peito .
O sangue escorre delicadamente pelo seu seio.
Seus olhos se encontram.
"Te amo",ele diz.
"Te amo",ela insiste...
Um fio de sangue escorre dos lábios.O derradeiro beijo.
Ele desliza os últimos centímetros da lâmina no corpo dela,que convulsiona.
As batidas do coração cessam.
Ele sente.
Ela não.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Máscara...




Desejo refletir,
Além do humano,
Do sangue,do receio e do caos.
Refletir eu mesmo,
Em você quem sabe?

Não quero ver maquiagem,
Sombra ou batom em sua face.
Quero saber do humano despido,
Invadir para além da carne.

Quero beber espasmos de tuas verdades,
Penetrar tua palavra íntima.
Retirar a máscara de tua existência,
E sorver sem culpa,
A essência de seu afeto.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Reminiscências do Sentir não Sentido...



Não conseguia definir quando se conheceram.
Conversaram e sentiram uma afinidade.
Talvez o olhar,talvez a pele,talvez a impaciência dela,quem sabe a curiosidade dele.
Ela gostava de falar,ele de ouvir a sua voz suave.
Não sabiam ainda o que era ou o que estava se transformando.
Decidiram ir pelo mesmo caminho.
Pararam para observar estrelas.
Ele pisou delicadamente no All Star azul e aguardou sua reação.
Ela sorriu...
Se olharam nos olhos e por um segundo o tempo parou.
Tchau,disse ela.
Até mais,disse ele.
Cada um seguiu para uma direção.
Não se amaram,não sentiram o gosto da boca um do outro,não brigaram,não sobraram cartas nem fotos.
Ele não zangou-se com ela.
Ela não sentiu nojo dele.
E quando se vêem,sorriem e se cumprimentam.
O amor não aconteceu.
E ele nunca escreveu sobre ela.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Morrer Acontece...



Morrer não é nada mais do que nascer ao contrário.Morrer é fácil,difícil é assobiar e chupar manga ao mesmo tempo.
Você pode estar sentado no sofá,assistindo a mais um episódio de "Os Simpsons" e de repente você sofre uma ruptura de aneurisma cerebral e morre.Nem vai ficar sabendo que morreu.Vai achar que fechou os olhos para espirrar.Esse é o tipo de morte em que as pessoas olham o defunto no caixão e dizem:"Coitado,era tão bom...morreu e nem ficou sabendo".
Tem também aquela morte em que a pessoa sabe que vai morrer (tem um câncer maligno que se espalhou pelo corpo) e tem que ficar esperando.Primeiro vem o desespero,depois a resignação.Depois, a impaciência, porque a morte de vez em quando atrasa.No velório vão dizer como o sujeito era bom e o clichê "descansou,coitado".
Não podemos esquecer de quem morre porque quer:o suicida.É o cara que decide não esperar a morte,é talvez um impaciente ou alguém que não se adaptou a este planeta,que não sabe viver e entender as coisas do mundo,cansado demais para continuar.E põe fim a isto tudo encerrando sua própria existência.Se não bastasse a dor de viver o suicida é torturado ainda com choros,velas e rezas.
E tem gente que consegue morrer vivendo.São pessoas que respiram,andam e se alimentam,mas estão mortas porque perderam a esperança. E a morte da esperança cria zumbis que não observam o mundo,as pessoas e toda beleza e tristeza da vida que o serve.
Morrer acontece,assim como morre esta crônica,simples,num ponto final.


"Todo mundo então era pérfido, mentiroso e falso? E lágrimas lhe vieram aos olhos, pois choramos sempre a morte das nossas ilusões com a mesma mágoa com que choramos os nossos mortos."(Guy Maupassant)