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segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mãe, Minha Velha Criança...



Sempre quando me lembro de você, seu rosto me surge jovem, amável.
As rugas agora ocultam teu rosto, mas você continua bela, dentro de mim.
Zomba da minha magreza e dos meus cabelos brancos que cultivo desde criança,
Chamo-lhe pelo apelido que você não gosta,
Satisfeito, observo seu aborrecimento.
Rezo ao seu lado aos pés da imagem de São Jorge, mas não lhe conto meu ateísmo.
De vez em quando me pergunta pelo nosso cão,
Minto, dizendo que deve estar escondido debaixo de alguma cama.
Nefasto leito eterno.

Lembro-me...
Levava o alimento à minha boca, contando como eu iria ficar forte quando crescesse.
Hoje busco conter sua mão para que consiga nutrir seu corpo.
Quando a comida respinga sua roupa, eu sorrio para que você não sinta vergonha.

Lembro-me...
Caminhava do meu lado, ensinando-me a andar,
Agora caminho ao seu lado para que não perca seus passos diante do tempo.

Colocava me na cama cantando para eu dormir,
Eu a deixo na sua antiga cama,
Você brinca que quer morrer dormindo,
Fico na esperança de vê-la acordada amanhã.
Antes de sair, penso em algo que quero que saiba,
Mas você já pegou no sono.
Boa noite.
E Obrigado Minha Velha.


[Feliz Aniversário Mãe]

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Pra Não Dizer Que Falei de Flores


Não mais cantamos,
Agora gritamos, choramos, relaxamos e gozamos.
Não há canções.
Silêncio...

Eu não sou igual a você,
Você não é igual a ninguém, ser diferente é normal.
Afasta de mim esse braço, abraço nada me trás.
Nas escolas, nas ruas, campos,...
Só des-cons-tru-ções,
Explosões, aviões.
A ferocidade não escolhe mais lugar.
Já disse que não há canção?
Silêncio...

Embora pra onde?
Nosso planeta agoniza,
Não há esperança.
A fome já não está mais só no campo.
As plantações enriquecem o Brasil,
Mas somos auto-suficientes.
Oh!
Auto-suficientes, ouviu bem?
Silêncio...

Nas ruas carros, motos, pessoas.Tudo está tomado.
No concreto a flor de Drummond expira,
Canhões massacraram-na num desfile de 7 de Setembro.
Viva a pátria!
Silêncio...

Há soldados armados, meninos armados.
Perdidos de armas na mão.
Eu desarmado, mais perdido do que eles.
Não se amam, não são amados.
Na antiga lição,
"Acudam, acudam, a bandeira nacional".
Não há tempo para isso.
Silêncio...


Desistimos da guerra, abdicamos das armas.
Estamos sem clamor.
Os amores se foram, estão "encantados".
Restam poucas flores, resta pouco verde, amarelo.
Até pouco do resto, resta, não muito.
A certeza é o dia de hoje.
Aguardamos o pior acontecer,
Ensinamos isto às crianças,
Assim não nos decepcionamos, nem a elas.
Não caminhe, corra!
Não há canções, só se ouvem tiros.

Depois, ... silêncio.

sábado, 21 de abril de 2007

As Rosas Não Me Prendem Mais...


Minha cidade se encontra em ruínas,
Ratos devoram o asfalto, juntam entulho, destroem praças,
Buracos consomem sonhos,
Tudo ao redor é tristeza. Semblantes tristes, céu triste, eu triste.
A cada passo que dou meus pés vão se desprendendo dos laços com a terra,
As raízes não levam mais a esperança ao meu corpo, e o que era verde aqui não existe mais,
Pisoteava as rosas,sentia os espinhos penetrarem minha carne
A dor me ensinava.
E eu largava para trás minha loucura, que caia em terra estéril,
O futuro cruzara divisas, bebia na fonte da esperança,
Pela primeira vez meus olhos acompanhavam sua direção.
Meu coração já se fora, longe,
Está em qualquer outro lugar.
Esperando por mim.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Razão e Emoção de Existir...

Observatório Virtual Voltado Para Nosso Orbe,
Tentando Entender o Ser Humano,
Num Mergulho Profundo em Cada Instante de Consciência Reflexiva,
Para Captar Algum Sentido ou Alguma Razão,
Para Viver Mais um Dia,
Fluindo Numa Gota de Esperança,
Rogando Para Que Ela Não Se Transforme em Sangue...